Relações Trabalhistas
"Todo mundo quer subir, a concepção da vida admite..."

Tudo começou há cerca de duas semanas, quando o grupo musical do Augusto se apresentou num programa de rádio e eu fui junto como boa produtora que sou.
(Ah! Sobre minha relação com o Augusto: amigos, acho que dali não sai mais nada! Sei lá... ele não tá no momento de namorar, eu também não consigo me ver com ele. Acho que a gente não tem muito a ver mesmo! Mas tá tudo certo, sem ressentimentos, quem sabe outro dia?)
Lá na rádio, conheci o produtor do programa, o Arthur. O cara pareceu gente fina, foi atencioso comigo e com os meninos, tudo normal. Após o programa, ele veio pedir que eu voltasse à rádio na semana seguinte para buscar o material gravado e conversar também sobre alguns outros trabalhos de produção que eu estou iniciando.
Arthur é bastante influente no meio musical, conhece muita gente no Brasil e no exterior e, pra mim, ele é um baita contato que pode me ajudar (e muito) profissionalmente.
Na semana seguinte, no dia e horários combinados, estava eu novamente na rádio. Peguei o material e fui conversar com ele. De início, conversávamos informalmente, mas sobre assuntos profissionais mesmo. Até que houve aquela perda momentânea de assunto para ambos e ele começou:
- Então, Lily, o que você gosta de fazer quando não tá trabalhando?
Aff Maria! Eu não a-cre-di-tei que tudo aquilo provavelmente era um joguinho pra ele me "conhecer melhor". Tudo bem que essa pergunta não teve nada demais, mas meu radar de homem dando mole é afiadíssimo! Eu duvidei que estivesse enganada e realmente não estava.
Hoje, tive que vê-lo de novo e os moles ficaram mais incisivos. A máxima de hoje, além de ter me convidado para assistir aos Paralamas (ahh golpe baixo!), foi:
- Ah você deveria aparecer mais por aqui. Sempre que você vem, o ambiente de trabalho fica mais agradável.
Eu mereço...
Bom, lógico que se ele fosse bonito, eu não estaria reclamando (mas já repararam que os bonitos não fazem isso?), mas Deus não o favoreceu na fila da beleza. Não que ele seja horroroso, mas bonitinho também não é. Confesso que ele parece ser interessante, mas agora eu não ficaria com ele mesmo. Desculpem-me os feios, mas homem feio a gente só fica ou bêbada, ou depois que conhecemos e percebemos se tratar de alguém maravilhoso.
Ok, mas voltando. Homens dando em cima no ambiente de trabalho é, infelizmente, algo bem comum. Essa não foi a primeira e nem será a última vez que acontece comigo. A diferença é que o cara em questão, dessa vez, tem um certo "poder" nas mãos. Então, se corto completamente a onda do cara, posso perder um contato ótimo e, com isso, a chance de ter várias portas abertas pra mim profissionalmente.
Porém, o certo é que eu não vou ficar com ele, enquanto eu não quiser. Não sou do tipo que se vende, por mais que eu tenha as minhas ambições.
Mas e se eu não quiser ficar com ele nunca? Vou ter que continuar fingindo que não entendi as insinuações dele até quando?

